Sábado, 26 de Abril de 2008

O 25 de Abril foi ontem...



...e, de repente, os capitães de Abril, os cantores, os poetas,os artistas, os jornalistas, os políticos, estão velhos, carecas, gordos e alguns piores do que isso, estão mortos.

Ontem, na RTP, vi 5 horas deles.

Vozes de Abril.

Eu bem digo que isto da memória é uma coisa lixada... lembrava-me de quase tudo, das letras, das músicas, das voltinhas dos lá,lá,lás.

Até da gaivota, que já nem se conseguia ouvir, eu gostei !

Que bem saracoteia ainda o Janita Salomé !

Estava de coração mole pois até a Maria Barroso me pareceu excelente.

Aguentei firme que a dose era forte.

Canções de esperança, de vitória, de alguma desilusão...

Tive saudades daquele tempo. Mas tive ainda mais do futuro.

Com tanta canção a falar-me ao coração  foi afinal o Francisco Fanhais, na altura padre Fanhais, a conseguir que a minha emoção extravasasse.

Não sei se foi pelo Vemos, ouvimos e lemos ou se se foi por uma antiga mensagem do Zeca Afonso.

Como é que pode um homem ser tão certeiro que, décadas depois, o discurso assenta que nem uma luva no nosso agora ?!

E já para o fim uma das canções e  um músico que é Abril puro. Eu vim de longe - Zé Mário Branco. O maior. Vivo.

 Bem gritei de cá -  companheiro aqui estou...mas ele não deu conversa e foi para longe...

Eu já sabia que iam deixar a Grândola para o fim.

Era de prever.

O que não estava no meu alinhamento era o Guilherme Leite a apalhaçar um final que se queria, senão grandioso pelo menos digno do momento.Queria brilhar à força, com os gritos quase a sobreporem-se à própria Grândola...não se enxergam !

Mas pronto. Acabou.

Fui até ao espelho.

Pois.

25 de Abril sempre.Juventude nunca mais.

Só a de espírito.

Essa ainda cá anda. De cravo ao peito. Ainda.


sinto-me: a vir de longe
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publicado por entreparentes às 11:46
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7 comentários:
De Patti a 26 de Abril de 2008 às 12:17
Lindo estas palavras.

Gostei muito do "fui até ao espelho".

Eu também fui ao espelho, porque na altura tinha só 6 anos, mas ainda me lembro de tudo.

Ainda. Felizmente.
De entreparentes a 28 de Abril de 2008 às 11:52
Espelho meu, espelho meu, há por aí alguém a sentir o mesmo que eu !

Temos dois ou três blogs em comum, que gostamos.

Apesar de 'uma pequena' diferença de idades fica tudo entre parentes a dar um ar da sua graça !

(Caramba, o Cristiano Ronaldo é bronco mas se não puser a crista muito espetada até nem fica mal de todo... prepara-te para o Mickael Carreira)
De * * Grilinha * * a 26 de Abril de 2008 às 22:36
Não vi o programa todo porque os homens cá de casa dominam os comandos da TV como ninguém e fintam-me com facilidade.

O zapping que se foi fazendo deu para apanhar a maior parte e recordar.

PS: verdade verdadinha é que sempre que colocavam na RTP eu cantava e eles mudavam logo de canal para eu não estragar as canções
De entreparentes a 28 de Abril de 2008 às 11:56
Naquela noite, em que o sonho comandava a vida, gostei de ter um comando só para mim...
Beijos e cravos todo o ano !
De KI a 28 de Abril de 2008 às 02:25
Olá, eu q n era nascida a 25 de Abril de 1974 penso q o ideal de Abril ficou por cumprir, e que agora estamos a ser governados por uma democracia ditatorial, aliás não entendo como é possível a maioria absoluta numa democracia... e nem sou de esquerda.

Belas canções de Abril sim, falam de esperança e união como tantas outras belas tb q n têm dia marcado. Tenho 31 anos vejo Portugal a afundar-se sem valores nem princípios sem leme apenas porque : " the problem with this place is there's too many chiefs and not enough indians!"

É bom ter liberdade mas saber o que fazer dela, é tal como ter 18 anos e ser maior de idade e ainda viver em casa dos pais sem independência para nada a não ser para votar nas eleições. e inconscientemente tanta vez.

Perdoa-me o discurso.

Ah... notícia menor: n volta o Trampolim mas alcancei um Trapézio... deve ter sido de tanto saltar e agora quedo-me por ali a baloiçar ou observando...enfim a vida é bela e que nos sobre energia para a viver.
De entreparentes a 28 de Abril de 2008 às 12:40
Já te dei as boas revindas no teu trapézio, agora vou só falar-te do meu Abril.

Quando eu digo que tenho saudades do futuro, é de um tempo em que depositámos tantas esperanças e que não se cumpriu como queríamos.Ficou muita coisa pelo caminho.

Dizes que não és de esquerda, eu digo que não sou de direita e, afinal, receio eu, que essa dicotomia não passe agora de meras palavras e que aquilo de que não passamos, na realidade, é de sobreviventes, náufragos à deriva de ideais, agarradinhos cada qual à sua própria bóia de convicções, num salve-se quem puder, sempre à espera que não tirem a válvula e vá tudo pelo cano abaixo.

Mas sabes, eu sou de um tempo em que me cantaram - aprende a nadar companheiro - e eu fui aprendendo...e fico sempre à espera que chegue, senão a maré alta, pelo menos umas boas ondas para toda a gente !

E não desisto ! Por muitas amonas que o Sócrates me pregue,vou tentar não morrer afogada !

Beijos





De KI a 28 de Abril de 2008 às 13:36
Nem de direita, nem centrista. Apenas inconformada, não há ninguém que me convença. Partidos? Antes pessoas e vai mal a maré.

Thanks for all :)

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