Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

Os dois lados da barricada


Um, onde já estive, o outro onde estou agora.

Não vou para aqui tecer nem grandes nem pequenas considerações e isto porque :

 - Quem nunca fumou nunca compreenderá o prazer dependente de um cigarro.
 
 - Quem já fumou e conseguiu deixar, não precisa de avisos, nem conselhos, a não ser que não se arme agora em fundamentalista e largue a labita dos fumadores.

 - Quem fuma, a coisa que mais odeia é ouvir - ' larga isso que te faz mal - é preciso é força  de vontade- deves ter os brônquios que é uma lástima, os pulmões feitos num oito '  e outras frases parecidas que  me  fartei de ouvir à exaustão, enquanto bebia frascos de Bisolvon para acalmar o peito.

Por isso não hostilizo nem ostracizo os fumadores, mas devo dizer que estou muito satisfeita por ter deixado de fumar.

E isso aconteceu faz hoje, exactamente, 7 anos !

O último cigarro foi fumado, às escondidas, numa casa de banho do IPO, 3 horas antes de ser operada !

E nunca mais peguei num cigarro.

Quem tem ..
tem medo !!!


Declaração Pública para evitar futuro comentário - Sim,confesso, há uma pessoa que eu chateio !
sinto-me: livre mas...custa !
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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008

Desculpe lá, Sr. Barbas...



...mas não liguei o nome à pessoa, a cara ao restaurante....e que o Barbas era do Barbas !

Quando digo isto as pessoas quase que ficam escandalizadas com tanta incultura clubística ó social -  o que é que querem, uma pessoa também não pode saber tudo. Só falta virem-me dizer que a Carolina do Aires é da Lili Caneças !

Se eu estou a pedir desculpa é porque esta minha manifesta ignorância escondia um pecado maior - uma dúvida preconceituosa e existencial.

Pensei que o senhor era um daqueles cromos que os Clubes têm...

Confesso que quando o via na televisão a acompanhar o nosso Glorioso para todo o lado pensava - onde raio vai aquele teso do caraças arranjar o dinheiro ?!!

E pensava mais...deve ser o Benfica que lhe dá um subsídio de folclore para colorir as digressões...o arrumar carros não dá para tanto.

E afinal vai-se a ver e o Sr. é o rei do cherne grelhado, podre de rico, muito cacau,cheio do guito, um autêntico nababo.

Tenha paciência mas o Sr.Barbas também tem um bocadinho de culpa do meu mau julgamento...esse ar hirsuto  de cada um dos lados da cara não ajuda nada...

Mas dizem p'rái que esse ex-libris é o seu fetiche. Não corta senão o Benfica perde...Então deixe-se estar quieto, não mexa, não corte, que isso a ser verdade, quer dizer que este ano já lhe deu umas boas aparadelas !



Para me redimir quero aqui deixar uma dica... se, como eu, não conhece o restaurante Barbas, vá até lá. É na praia da Costa, come-se bom peixe fresco e temos sempre o mar da Costa para nos encher os olhos.
sinto-me:
música: Ser benfiquista
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COSTA DA CAPARICA II



Tinha tudo muito bem estruturado na minha cabecinha...

O assunto Costa dava aí, à vontade, para uns 4 ou 5 posts.

Até que comecei bem...a meninice, as bolas de Berlim - agora iria para as tabletes de chocolate derretidas ao sol de parceria com a minha prima G. (começava aqui a minha longa carreira de chocólatra) .

Depois viria o capítulo Mena, grande sócia de juventude, companheira de aventuras e dos 'assaltos' lá em casa (assaltos eram bailes de pick-up, LPs de 33 rpm, com  rissóis, croquetes e cup ).

 E, para acabar a saga, talvez, se estivesse para aí virada, ainda era menina para falar do  namoro com o pai das minhas filhas ...

Mas foi então que aconteceu...sexta-feira fui à Costa.

Depois de um óptimo almoço no Barbas ( e isto é assunto para próximo post ) resolvi ir matar saudades ao centro da vila (?).

Matei as saudades bem mortas, assassinei as memórias, exterminei recordações e acabei por afogar as mágoas em ombro amigo.

Logo à entrada da praia o areal parece cenário de guerra. Tractores, betoneiras, gruas e bulldozers. Aqui e ali já se adivinham estruturas de betão.

Não sei o que vai sair dali -  em grande catrapásio pode ler-se qualquer coisa como Plano de Construção de Praias Urbanas - pode ser até que seja óptimo para os milhares de veraneantes que por ali passem - mas é óbvio que nada será tão naturalmente belo como a Costa da minha infância.

Também ignoro se estas praias urbanas vão ser de areia ou se vão alcatroar aquilo tudo ! Bom negócio será começarem já a fazer medalhinhas com areia, tal e qual como as de Fátima com terra da Cova da Iria, ou os postais ilustrados de Berlim, com bocados de muro.Têm é de começar já antes que a areia desapareça toda.... que o despique entre o mar e o cimento é ver quem engole mais areia !

Eu devia ter dado, logo ali, meia-volta e ala para Lisboa. Mas não...

Até metade, a rua dos Pescadores apresenta, em todo o seu esplendor de viela, um prêt-a-porter de Feira da Ladra, colecção de Inverno - sapatos, botas, chapéus de cowboy, malas, cintos e outros acessórios a condizer. O Corte inglês que se cuide !

O resto é o que seria de esperar - bancos, restaurantes, telemóveis, snacks, frangarias, chineses, geladarias, bares. Prédios altos, casas baixas, novas, restauradas, a caírem de podres - há de tudo.

Nada contra se não parecesse tudo desirmanado, tudo dentro daquela visão arquitectónica do ' tudo ó molho e fé na Câmara '.

No princípio da rua, mesmo na esquina, está uma loja da Tmn.

Parei a olhar para ela.

Ali era o nosso café. Não lhe sei o nome porque toda a gente lhe chamava o Papo-seco.
 À noite, a família ocupava 3 mesas...foi o tempo dos garibaldis e duchesses.

 Depois, o passeio do costume...era preciso exibir o bronze, o meu de lagosta e só para o fim um dourado ligeiro, que eu nunca fui de bronzalines.

 Em bando rua acima, rua abaixo, umas quantas vezes , num trottoir honesto até o corpo cansar.

Também não encontrei a boîte do Sr.Tavares pai de uma Olga que também, como eu, andava no Ateneu..

À volta ainda dei com a tal casa que, como diz o Malato, foi um sítio onde fui muito feliz...

O portão entreaberto deu para ver que pelo menos a entrada permanecia na mesma e, ali estava, onde o tinha deixado há muitas décadas atrás, o pilar onde eu e a minha prima colocávamos como numa pira sagrada ao deus Sol, as tabletes de chocolates.

Vim-me embora enquanto a recordação era doce...

Olho para trás e ao longe, lá bem no cimo, vejo o contorno dos Capuchos.

Esses, eu sei, não me vão desiludir. Quando me tiver passado esta ressaca eu conto dos meus passeios aos Capuchos. Os contáveis...

sinto-me: desiludida
música: Apocalypse now
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

COSTA DA CAPARICA - I



Foram estas batatas que despertaram os sabores da minha memória.

A Costa fez parte da minha vida nos anos 50 e 60, o que abarca a minha meninice, infância e adolescência.

Primeiro, por via de madrinha abastada e porreira, usufruíamos de 1 mês de férias na vivenda dela - Vivenda Lídia Maria, bem a meio da rua dos Pescadores.
Mais tarde, a minha mãe não foi de modas, e tivemos casa ao ano.

Ao princípio, e as imagens chegam-me por flashes, ir de férias era uma grande aventura.
Para mim, a Costa era muito loooonge !

Não havia carro, nem ponte. Malas e sacos e saquetas e nós - tudo de barco até Cacilhas e, depois, camioneta pelo caminho velho. Parecia eu que ia para Trás-os-Montes.
Só quando chegava lá acima, à curva dos Capuchos e via o mar lá muito ao fundo, é que eu sentia - férias !!!

Ia para o Paraíso. Literalmente.
As passadeiras de madeira tinham logo à entrada um aro encabeçado pelos letreiros com o nome dos 'banheiros' - lembra-me bem do Dragão Vermelho, do Tarquínio e do meu Paraíso!

E o que se caminhava para chegar às barracas ou aos toldos...vegetação, dunas, muitas topadas naqueles estrados...( se a gente já a conhecesse até podia cantar - Eu vim de longe, de muito longe, o que eu andei p'ráqui chegar !)

Pé na água, pé na areia, pé na barraca, enche balde, entorna balde e mais o jogo do prego e o das 5 pedrinhas e a minha mãe - está um bocadinho quieta que me enches de areia !
Nem pensar em atirar-lhe areia, com a camada de Bronzaline seria o mais perfeito dos croquetes...

Então, lá muito ao longe, começava a música para os meus ouvidos :
 
- Bola Nova ! Lá vou eu ! Uma senhora comeu uma dúzia !!!

Sr. Daniel, vermelho do sol e do esforço de empurrar o carrinho areal fora, ele vendia as melhores bolas de Berlim do mundo !

Noutras alturas era a senhora dos bolos a razão do meu fascínio. Seguia-lhe os gestos. A caixa branca, com a palavra Bolos escrita a encarnado, equilibrada numa rodilha à cabeça, era pousada na areia e, como quem abre um cofre, a tampa descia para que os tabuleiros pudessem sair e dessem lugar à minha excitação - Meu Deus, só há um mil-folhas, é para mim !

E mais os pirolitos, as gasosas, as oranginas.
E, anos mais tarde - é o Rajá fresquinho, é fruta ó chocolate !

Não me posso esquecer do senhor dos barquilhos carregando às costas a grande caixa cilíndrica vermelha, com a roleta em cima - Quantas voltas, menina ?
E eu a fazer rodar a roleta...e o ponteiro que nunca passava das 4 !

Depois os barquilhos passaram a línguas da sogra, vinham à dúzia em sacos de plástico, mas sem roleta nem tinham o mesmo sabor !

E, claro, as inesquecíveis, as incontornáveis, as indefectíveis batatas fritas.
Aquele gosto estaladiço a meio-sal, meio óleo, meio batata, meio sol, meio mar, ficou para sempre agarrado ao palato da memória.

Bom, bom mesmo, era comer as batatas a ver os Robertos ...
Às vezes, com a estridência das vozes nem se percebiam as falas, mas entendia-se o enredo, percebia-se a trama e era sempre o grande gáudio quando acabava tudo à marretada !

Vou comprar dessas batatas Gourmet, sentar-me no meu sofá a ver um Prós e Contras e sei que serei transportada aos meus tempos de menina... as batatas até que podem ser ligeiramente diferentes, mas há sempre uns fantoches para alegrar a malta !

sinto-me: com fome, claro!
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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

Tá tudo convidado !



Amigo meu que xereta algumas vezes por aqui estranhou o tom dos últimos posts.

- Tudo bem contigo ?

Até parece que já não se lembra de mim de tampa saltada...

Tirando isso, acho que nunca estive tão bem, arriscaria mesmo a dizer que se calhar este tempo é um tempo feliz. A saúde está boa  (três toques na madeira, sempre de baixo para cima para esconjurar o mal ) e só não digo que estou pronta para outra, porque da última vez levaram-me a única vesícula que eu tinha !

A família recomenda-se. Mais otite, menos amigdalite, a miudagem vai crescendo e eu a ver !

E este mês tenho um bom motivo para estar contente. Para que não se pense que eu só digo mal do nosso primeiro, aqui vai o meu agradecimento público :
  
 - OBRIGADA, PÁ !!!

Um aumento de 37€ não é para todos !

O diabinho residente no meu ombro esquerdo tange-me o tímpano com o tridente : - Grande estúpida, isso não dá nem para gorjeta no Eleven ! Que a ti não te faz diferença, nunca lá vais pôr os pés...

Do outro lado já ouço a harpa do anjinho seráfico : - É melhor que nada, há quem esteja pior ! Há quem trabalhe e não receba um aumentozinho ano após ano, mais vale um pássaro na mão ....

Deixo-os a discutir e vou mas é preparar o meu cozido, com muita couve, muito chouriço,muito toucinho, muita orelha, muita farinheira !

Vou gastar o aumento de 3 ou 4 meses...mas pronto, estão todos convidados !

Quando acabarem essa travessa avisem,que eu vou lá dentro buscar mais !




sinto-me: empanturrada com tanto aumento
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O CHIBO



Esta história de alimentar a cultura bufa incentivando as pessoas a chamar a polícia para multar um tipo que se recuse a deixar de fumar num local proibido está a fazer-me saltar a tampa !

Falem, discutam, façam, excepcionalmente, uma ou duas daquelas cenas tristes em que o português é exímio - Apaga lá essa merda ou vou-te ao focinho ! Tu e mais quem ? Agarrem-me que eu vou-me a ele... etc, etc.

Eu sei, não é bonito, mas tudo é preferível a fazer queixinhas à polícia !

Logo no primeiro dia da aplicação da lei um desses lá chamou - Ó sr.guarda venha cá, está aqui um, está aqui um !

Alá é grande, o Buda é gordo, só o nosso é que é invisível...mas desta vez até lá estava : o prevaricador tinha-se ido embora e quem levou com a multa foi o delator que não tinha aviso na porta !

Mas a coisa não é de agora...

No tempo do Salazar havia muita coisa proibida, algumas completamente ridículas.
Por exemplo, eram proibidos os beijos na via pública e, sem a respectiva licença, não se podia acender um isqueiro.

O rectângulo de cartolina fina, com um selo branco, brasão da república e o pomposo título de LICENÇA DE ISQUEIRO, tinha de acompanhar sempre o utilizador.

Quem passava a licença era a Fosforeira Nacional, que não sendo uma empresa estatal era como se fosse, já que era de uma família muito amiga do ditador.

Estou mesmo a ouvir a conversa. - ó António apareceram aí uns aparelhómetros que fazem chama e estão-me a estragar o negócio.
- Vou já proibir isso ! Vão ter de te pagar o prejuízo ! Passa-lhes uma licença ! Vou já fazer uma lei !

O isqueiro podia ser aceso ' debaixo de telha '. Na rua só com licença. Do nada surgia um paisana, levantava a lapela e lia-se fiscal. Que raio de profissão - fiscal de isqueiros.

A licença custava 10$00 e a multa era de 250$00 ( um ordenado, na altura !) e seria dividido assim: 70% revertia para a Fosforeira, 30% para o fiscal, quantia esta a ser dividida,quando era o caso, com o delator da infracção, vulgo ' o chibo '.

Estão a ver a cena ? Ó Sr.guarda venha cá, está aqui um, está aqui um !

Os chibos tiveram o seu tempo áureo na altura da pide, treinavam com as licenças de isqueiro e tiravam o tirocínio a lixar a vida do parceiro do lado.

Não me apetece nada vir a viver num país de chibos !



 
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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

Candeeiros bem bonitos, modernos e originais...




Avisa-se, desde já que este post  apresenta todos os indícios do que não deve ser um post. Chato e comprido. Para os que gostam mais do estilo redondo e curto eu sintetizo: Antigamente o país estava na merda, depois melhorou um bocado e, agora, se a gente não se põe a pau, caminha-se a passos largos de novo para a merda...

Passemos ao dito...

Pelo menos até há coisa de 15, 20 anos não se começava a fazer uma campanha de publicidade sem se delinear primeiro um copy strategy.
Primeira pergunta num briefing - qual é o target ? Sexo, idade e classe social.

Achadas mais na base da posse de electrodomésticos e outros bens de ostentação de riqueza, e muito pouco nas habilitações ou cultura dos indivíduos ( sim, porque isto para comprar mais valia um estúpido rico do que um teso culto )as classes sociais dividiam-se em : A - os tão ricos que bastava escrever ou telefonar porque toda a gente sabia onde eles moravam e eram, então, tão poucos que resolveram juntá-los aos B. Os A/B -eram a classe alta.

Depois vinham os C que estavam divididos em C1 e C2, classe média alta e baixa.

E, por fim, um enorme D, para quem só me lembra de comunicar papel higiénico de folha simples (afinal já havia dês que não usavam jornal e quando é para vender tão bom é o dinheiro do pobre como o rico...)

O segredo do êxito era encontrar o ponto G da atenção do consumidor.

Comunicação ligeiramente acima do nível do alvo para, apelando à aspiração por melhor, ele fizesse a necessária projecção mas não demasiado acima, para que a identificação não se perdesse e o levasse à distanciação do "isto não é para o meu dente ".

Lembra-me na altura de ter pensado - isto era muito mais fácil no tempo da minha avó ... as classes sociais eram só três e muito distintas.

No cume, os ricos. No sopé os pobrezinhos ( tal e qual, com inhos ).

No meio da difícil escalada estavam os remediados. Era aqui que se davam algumas mudanças.

Os remediados contavam os tostões e, às vezes, não muitas mas algumas, até dava para ir à caldeirada ao Ginjal.

Cacilheiro.Tejo a brilhar, Ginjal - excepcionalmente hoje venha de lá um pireszinho de camarões.Caldeirada para todos. No fim, pudim flan e uma Macieirazinha para rebater.

Mais tarde seriam os bifes na Portugália ...

Também contava como sinal exterior de subida quantas vezes por mês se ia ao Condes ver o Wayne,  ou levava a sua senhora ao Ódeon a ver a Sarita Montiel cantar la Violetera.

No topo da ascensão - o ter carro, ir ao domingo dar a volta saloia, Estoril, Cascais, paragem na Malveira para comer trouxas e ala p'ra casa que a gasolina já está a 5$00...

Antes da televisão reinava a telefonia.O teatro radiofónico, os relatos do Benfica  e música, muita música - portuguesa, espanholadas e Piaff.

No meio a publicidade com os primeiros jingles a fazerem furor, mais coisa menos coisa eram assim :

          Candeeiros bem bonitos, modernos e originais
          Compre-os na Rádio Vitória
          Não se preocupe mais !
          Lá na rua da Vitória,46-48
          Satisfaz-se plenamente
          O cliente mais afoito.

ou ainda melhor:

           A dona salsicha quando sai da lata
           diz com alegria, eu cá sou Frescata !
           Abra um paposeco e depois então
           salsichas  Frescata no meio do pão
           Salsichas Frescata, acredite
           até fazem crescer mais o apetite
           Frescata, Frescata
           é o Rei das conservas em lata
           Diz o mundo inteiro que vida barata
           É Frescata, Frescata, Frescata !

Imbatíveis !

Quando em 56 apareceu a televisão os remediados fizeram ponto de honra em ter uma na sala, com um naperon de renda e jarrinha em cima.

Lentamente tinham subido na vida ou a vida tinha subido por eles acima. Chamavam-se já classe média e foram , durante muitos anos, o principal target para muitos produtos e serviços, mas embora farinha do mesmo saco havia nuances de mensagem entre C1 e C2 difíceis de ultrapassar.

Nos tempos de hoje eu acho que os publicitários vão tendo, cada vez mais, a vida facilitada...

Por um lado, a maioria dos clientes baixou o seu budget, algumas agências não aguentaram a escassez das margens e fecharam portas, o que levou os publicitários a escolherem outros destinos - relações públicas, guionistas, escritores (?),ilustradores e outros reformaram-se e contentam-se em mandar bocas dissertativas em blogs...

Por outro, a delapidação sistemática da classe média, com o poder de compra a descer e, de novo, o desesperado contar dos tostões,  enquanto outros aproveitam a corrupção grassante e juntam-se alegremente aos A/Bês.

Muitos cês estão mesmo à beira de se tornarem dês. Sugiro que a distinção se comece a fazer aqui e se crie os D1 e os D2...

Para facilitar a vida dos publicitários dividam as classes sociais em ricalhaços e cambada de tesos !

E avisa-se já que a caldeirada do Ginjal continua boa mas está quase a um preço A/B !!!!


Ainda a propósito de publicidade, corre aí pelo bas fond publicitário que a namorada do modelo do novo filme do Banif anda com um sorriso, de orelha a orelha,desde que ele fez o filme.Tenho de ir ver para perceber porquê...


                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        
sinto-me: um bocado defraudada...
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

SÃO OS LOUCOS DE LISBOA


Cada vez que ouço esta canção lembro-me do 'noivo'...

O 'noivo' foi dos mais conhecidos loucos de Lisboa. Sempre apressado como quem tinha muito que fazer, reunião marcada, consulta a que ir, ele percorria a Baixa de ponta a ponta, sempre falando, falando muito e alto, gesticulando, procurando, bramando contra tudo e contra todos.

Fato preto, camisa branca e flor branca na botoeira, gentilmente cedida pelas vendedeiras do Rossio que se apiedavam dele, sapatos cambados de tanto calcorrear, o 'noivo' despertava as mais díspares reacções de quem passava.

Havia quem se assustasse com os gritos repentinos, quem metesse conversa a ver o que é que dava, o encolher de ombros de o que é que se há-de fazer ?  Olhares de dúvida, de enjoados e de comiseração quando se conhecia a história.

Rezava a lenda ( ao fim de tantos anos foi promovido a lenda, se fosse  hoje seria atracção turística muito melhor que os homens estátua) que, apaixonado loucamente por uma mulher lindíssima  esta o teria deixado, literalmente a falar sozinho, no dia do casamento, e que ao dar-se conta disso teria caído, vítima de síncope, em pleno altar, como se um raio o tivesse atingido ao  meio.

Quando voltou a si não dizia coisa com coisa e pôs-se a procurar a noiva pelas ruas de Lisboa, até morrer.

Quando ouço a canção lembro-me dele, completamente louco, a  falar sozinho, a gesticular, bramando alucinado para o vazio...

Nos dias de hoje teria passado despercebido. A figura seria a mesma mas toda a gente pensaria que tinha um auricular..

sinto-me: mordaz que baste
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Domingo, 6 de Janeiro de 2008

Pão com manteiga e...pomapo !



A noite até que nem tinha sido má...

Toda a eito ! Coisa rara quando a minha besnica de 2 anos e meio dorme cá em casa.

Da última vez tinha acordado às 4 da manhã a clamar - qué ir pa casa !

Desta vez foi uma noite santa...e olhem que o princípio parecia bem comprometedor...

Lapa de sua mãe, quando chega a altura de adormecer, chega-lhe a lágrima ao olho e a saudade à goela - eu qué mamãe !  ( Não, a miúda não vê telenovelas brasileiras mas o contacto, desde sempre, com a Luciana, mineira de gema, faz com que aquele mamãe saia ainda mais ternurento do  que qualquer mamã francês.)

Pois ontem foi, leite, ursinho, 5 histórias, 20 eu qué mamãe, várias cabeçadas na almofada e, por fim, sono absoluto, total, profundo, directo até às 7 da manhã, hora a que reclamou o seu leitinho !

8 e meia, tudo levantado ! Ela a querer ver o canal dela, o baby,  ele  a exigir o seu nickelodeon e, claro, ele faz-lhe a vontade que tem 5 anos e também gosta do baby.
Enquanto faço torradas ouço-o a ensinar inglês à irmã - "azul é blue " vermelho é red"
(e eu cá para mim  o green não, o green não, para ela não ter ideias !)

- E a Té, quer torradas ?

- Não...qué pão !

- Queres pãozinho com manteiga ?

- Sim...pão, mantega...e pomapo !

- Pão com manteiga e quê ?

Olha para mim com aquela cara de quem não percebe porque é que eu não percebo...
Tinha sido bem clara, bem explícita. Era a evidência do óbvio ! Pomapo,não se está mesmo a ver ?

Baixo-me até ficar olhos nos olhos, não vou perder pitada, sinto que não tenho muitas mais oportunidades.

- Diz lá à avozinha, o que é que queres?

Os ombros inclinam-se para a frente, o queixo bate-lhe no peito, olha-me de viés.
Meu Deus, é um amuo dos grandes, estou feita ! Mas não,  num fiozinho de voz de neta incompreendida repete:

-Pão manteiga...e pomapo !

Ok ! Pensa, mulher, pensa e rápido que isto é um teste ! Tens a mania que és esperta então agora desengoma-te !

Lentamente vou cortando o pão, as mãos devagar a cabeça a 100 à hora...
Fiambre é fiambe. queijo e queso, chocolate é coisa proibida lá em casa, tomate ?Tomate ela adora, mas com pão e manteiga ???

Deus queira que ela saia à mãezinha dela que foi fácil de ver que um frigico era um frigorifico, agora se ela sai à tia está tudo tramado, foram 6 meses até percebermos que cócóveja era o apelido da amiga Mota Veiga ! Bom, "quiqueiga da boa" deu logo  para ver que era foie-gras !

Agora, pomapo... Ela não pára de olhar para mim ...os seus olhos seguem os meus movimentos para verem quando é que eu ponho o pomapo !

Tira pelo sentido, mulher ! Assim como assim vais ter de te habituar ao novo acordo ortográfico :  - "Um homem de fato é de fato elegante". Redundância ? Tira-se pelo sentido.
Se conhecer um António brasileiro chame-lhe Antounio, porque o acento deles é circunflexo.
O pior é quando elas não se veem há muito tempo -será um problema de visão ou orgásmico ? Tira-se pelo sentido.

Pois aqui, sinto muito mas não estou a conseguir.

Apronto o pão e estendo-lho...

 - Pronto, aqui tens o teu pãozinho com manteiga !

Boa tentativa !

- Qué pomapo !

Não sei se foi o olhar dela que fugiu para a gaveta ou fui eu que tive um flash !

Abro a gaveta tiro um guardanapo rodeio o pão e estendo-lho.

Ela pega nele, diz obigada e parte muito, mas mesmo muito contente !

Onde é que eu tinha a cabeça ?

Não se estava mesmo a ver ?

Limpem-se lá a este pomapo e...

...venha de lá a merda do acordo ! Para mim vai ser canja !!!

sinto-me: preparada para outra
publicado por entreparentes às 17:09
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