Terça-feira, 29 de Abril de 2008

Não me obriguem a vir para a rua gritar...




...não ele, eu !

 Eu é que venho para a rua gritar se o homem vem para o seu odiado 'contenente'...e eu, amiguinhos da minha alma,  já estou a ficar antiga e pesada para grandes manifestações !

Desde Timor que eu não grito !

Mas se for preciso, vou mesmo ! O homem tem o condão de me bulir com o sistema nervoso.

Fica assim combinado. Se o homem vier, eu grito !

Ao contrário do meu amigo Zé Manel, e também dela, eu não quero cá o homem.

A técnica daquele fabuloso pássaro - o cacalharás - pode, perigosamente, não se aplicar neste caso.

Não tenho essa fé no discernimento dos votantes que me levem a pensar que o homem "ía levar na pá e voltava de rabinho entre as pernas para o seu cantinho."

Pensem comigo ! Vivemos no país que acha muita graça ao Fernando Rocha !

Sim, teria uma certa piada ver o Sócrates a perder a fleuma mas é um preço demasiado alto e, por mim, dispenso !

Basta de pão e circo ! O pão está cada vez mais caro e já temos circo que chegue sem que seja preciso importar mais um palhaço.(As minhas desculpas aos palhaços a sério mas este é dos que actuam sem pintura)

O que me irrita mesmo é que o homem não é o bronco que mostra.

O homem é culto, é educado, é inteligente, é estratega. Faz de bronco desbocado porque já viu que a coisa resulta.

O homem ofende, abusa, afronta, ataca, desdenha,insulta, vituperia, e a gente que importa não se importa !

Ah, deixem lá ... ele é assim mesmo !  Não liguem...

UMA OVA !

Porquê é que foi institucionalizada a condescendência ?

E as loas, meu Deus, as loas...

Que os seus amigos de cor vão lá ao beija-mão, quando precisam dele, é lá com eles...mas ir daqui um rosa desmaiado, o papa da assembleia, gabar-lhe o cimento armado já é dose  a mais.

E foi então que o Presidente da República resolveu ir à Madeira.

Fez muito bem. Eu também gosto muito de ir à Madeira.

Aí o dono lá do sítio diz ao Presidente - Olhe Sr.Presedente, o senhor pode andar por todo o lado, faz de conta que está em sua casa, só ali na Assembleia cá do burgo é que eu não o deixo entrar que estão lá uns homens completamente loucos, imagine o sr. que, às vezes,até se atrevem a não estar de acordo comigo.

Ora o que é que a gente estava à espera ?

Que o nosso Presidente puxasse dos galões ou puxasse do que ele muito bem quisesse e tivesse no sítio e, do alto do seu pau de vassoura engolido há já muitos anos, respondesse:

 - Ó menino, vá lá buscar mas é  a chave e abra-me já a merda da porta, que quem manda aqui, sou eu ! - isto numa tradução muito livre de cavaquês, claro !

Mas não. Até ele vacilou. Em nome do que chamou harmonia, até ele condescendeu.

Só não desceu na minha consideração porque também nunca a subiu !

Amiguinhos cor de laranja, por favor, têm tanto para escolher por cá !

Olhem, aproveitem a ocasião, finalmente aí têm o Cavaco de saias. Se aquilo não vai lá lá com homens, experimentem agora com uma mulher. Se eu fosse da vossa cor era o que faria. Aliás vai ser a única a quem eu verei confrontar o Sócrates, sem me rir nem tirar o som da TV.

Mas têm mais...o Passos Coelho já cresceu, está um homem feito, vai ser um perigo no futuro, mas por enquanto ah! mas são verdes ! Ainda está muito bonitinho, muito poseur, muito economista, muito a dar-se ao respeito.Olho nele.

E têm mais do mesmo, o sempre-em-pé, tornicotim, tornicotão, salta a mola e ele aparece ! O bébé que levou porrada ainda no berço, mas que vem aí outra vez para apanhar mais ! Já anda a fazer casting das santanettes !

E mais uns que vão desistir pelo caminho a favor de quem der mais...

Estão a ver ? É só escolher ! Vá lá...

E eu assim não tinha de ir para a rua gritar...TIREM-ME DAQUI !






sinto-me: raivosa
publicado por entreparentes às 14:06
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Sábado, 26 de Abril de 2008

O 25 de Abril foi ontem...



...e, de repente, os capitães de Abril, os cantores, os poetas,os artistas, os jornalistas, os políticos, estão velhos, carecas, gordos e alguns piores do que isso, estão mortos.

Ontem, na RTP, vi 5 horas deles.

Vozes de Abril.

Eu bem digo que isto da memória é uma coisa lixada... lembrava-me de quase tudo, das letras, das músicas, das voltinhas dos lá,lá,lás.

Até da gaivota, que já nem se conseguia ouvir, eu gostei !

Que bem saracoteia ainda o Janita Salomé !

Estava de coração mole pois até a Maria Barroso me pareceu excelente.

Aguentei firme que a dose era forte.

Canções de esperança, de vitória, de alguma desilusão...

Tive saudades daquele tempo. Mas tive ainda mais do futuro.

Com tanta canção a falar-me ao coração  foi afinal o Francisco Fanhais, na altura padre Fanhais, a conseguir que a minha emoção extravasasse.

Não sei se foi pelo Vemos, ouvimos e lemos ou se se foi por uma antiga mensagem do Zeca Afonso.

Como é que pode um homem ser tão certeiro que, décadas depois, o discurso assenta que nem uma luva no nosso agora ?!

E já para o fim uma das canções e  um músico que é Abril puro. Eu vim de longe - Zé Mário Branco. O maior. Vivo.

 Bem gritei de cá -  companheiro aqui estou...mas ele não deu conversa e foi para longe...

Eu já sabia que iam deixar a Grândola para o fim.

Era de prever.

O que não estava no meu alinhamento era o Guilherme Leite a apalhaçar um final que se queria, senão grandioso pelo menos digno do momento.Queria brilhar à força, com os gritos quase a sobreporem-se à própria Grândola...não se enxergam !

Mas pronto. Acabou.

Fui até ao espelho.

Pois.

25 de Abril sempre.Juventude nunca mais.

Só a de espírito.

Essa ainda cá anda. De cravo ao peito. Ainda.


sinto-me: a vir de longe
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Sábado, 19 de Abril de 2008

Isto da memória é uma coisa lixada...



Esta fotografia tem seguramente ...muitos anos !

Não me lembro do fotógrafo, pela mão de quem fui, da saia plissada, da blusa de renda feita pelas mãos de ouro da minha mãe, da meia a vincar-me a perna, nem sequer dos espampanantes laços que deviam ser a minha vaidade !

Mas recordo ao pormenor a malinha...meio mala, meio saco, flores bordadas a lã, meio minhota, meio saloia,com forro de tafetá vermelho, guardava botões, tostões, rebuçados e outra tralha miúda que eu entendesse por tesouro.

Por causa destas e de outras ( especialmente de outras) é que eu gostava de saber como é que a coisa funciona no universo das meninges.

Tenho uma vaga ideia.

Lembram-se nas naves espaciais tipo Star Track , aquelas câmaras transparentes com tampa onde eles dormiam meses a fio, enquanto outros conduziam a nave a bom planeta ?

Pois é mais ou menos assim que eu acho que tenho as minhas memórias arrumadas, aconchegadas por mantinhas de neurónios aos retalhos.

Um perfume, uma palavra, um sabor, uma música, uma paisagem....

Qualquer coisinha serve para fazer saltar a tampa às memórias !

Às vezes chegam  alegres, boas, gostosas, atravessam prazenteiras os sentidos e a gente deixa-as perpassar lentamente, saboreando cada momento.

As que carregam tristezas, saudades e dor, essas mando-as de volta.

Estalo o chicote e elas regressam, quietas e mudas, para a caminha delas.Com tampa.

Tenho treinado muito.

Estou cada vez melhor. Já sou tão rápida que nem dá para sofrer.

Amestradora de memórias.

Domadora de recordações.

Domesticadora de lembranças.

Isto tudo vinha a propósito de quê ?

Ah, sim, duma mala às flores de boa memória !


sinto-me: armada aos cucos
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Domingo, 13 de Abril de 2008

Zzzzzzzzzzz....



Eu sei ! Já é Primavera, mas não me apetece...

As árvores da minha rua já estão verdes outra vez. Por enquanto ainda não me tapam o sol que entra escancarado pela sala adentro.

Eu gosto de dias com sol, mas não me apetece...

Podia vir para aqui  contar biliões de histórias que eu sei, mas não me apetece...

Liguei o meu piloto automático.

 Os meus pés andam.

 As minhas mãos mexem.

Os meus olhos vêem.

A minha boca até fala. E ri.Sozinha.

A minha cabecinha até pensa.

A vida passa-me à frente e eu adormeci a ver o filme.

Estou dormente.

Acho que voltei a construir um muro entre mim e as sensações.

As sensações dão muito trabalho e a mim, agora, não me apetece !

Por estes dias estou encerrada. Para balanço.

Porque me apetece !



sinto-me: bela mas adormecida
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Domingo, 6 de Abril de 2008

Cucumber ?



Isto nem chega a ser um post...

É mais um desabafo...

 Farto-me de reportar spam mas eles insistem, eles voltam com a tenacidade daqueles cães que filam e não largam !

Até são bem intencionados só  querem que eu tenha mais dinheiro, mais saúde, mais beleza, mais tempo, mais prazer, mais amigos, mais sexo, mais tudo.

Agradeço como se aceitasse...

Avisada, não os abro, por isso hoje resisti mesmo à minha curiosidade e spamei um que vinha de um tal Cuneo e oferecia ' natural fertilizer for your cucumbers '.

Fiquei sem saber se  sim ou se era mais do mesmo.

É que isto com publicitários é preciso ter toda a atenção e este vinha coladinho a outro que,  mais uma vez, me queria aumentar o pénis...




sinto-me: bem assim
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Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

A minha vida já dava um filme...





Não consigo ter um filme preferido.Tenho muitos.Porque vi muitos. Quilómetros deles.

Senão fosse uma frase muito, mas mesmo muito feita, eu diria que tenho cinema no sangue, celulóide nas veias, fotogramas a saírem-me pelos olhos.

No Arco do Cego havia um cinema chamado Palácio, tinha duas enormes escadarias uma de cada lado, tudo muito grenat, muito veludo, muito pendão dourado e eu, menininha, achava que aquilo era mesmo  um palácio à séria.

Era lá que a  minha mãe trabalhava e, quando nenhuma das avós podia ficar comigo, levava-me com ela, dava-me um mil-folhas  e  um candy-bar, sentava-me num cantinho do balcão e ali ficava eu num sétimo céu de boca atulhada de doces e os olhos cheios de imagens, assistia à 1ª sessão, à da tarde e, só às vezes, adormecia no começo da noite.

O Palácio foi demolido e deu lugar ao Avis. E a minha mãe a continuar a trabalhar lá.
E eu sempre no balcão do céu.

Nos finais dos anos 50 as férias grandes, tirando o tempo da Caparica, eram passadas no Avis.

Gelados da Sibéria. Bitoques da cervejaria ao lado. E filmes, muitos filmes.E o mesmo filme muitas vezes.Em 1958 vi O Homem do Rickshaw, 49 vezes. Era um filme japonês e o actor chamava-se Toshiro  Mifune...as coisas de que eu me lembro...

Ainda hoje o italiano que percebo e arranho foi aprendido com as italianadas que  lá vi.Não, japonês não aprendi nada !

Já o meu pai, antes de se tornar operador de cinema, trabalhava no Odeon, o que quer dizer que filmes como O Prestígio Real e la Violetera não me escaparam.

Entre os dois cinemas enchi-me de Joselito pão e vinho, Marisol - um raio de luz e léguas de outros .

Nos anos 60 a minha mãe mudou-se para o recém aparecido 444 . Era outra louça !

Lembra-me do filme de inauguração - As escravas ainda existem ! E o 444 tornou-se no meu poiso habitual.

Havia na altura um acordo muito tácito entre as bilheteiras. Arranjas aí umas borlas para mim que eu arranjo para ti...

E à conta disso eu entrava no Avis, no Roma, no Monumental, no Éden, no Condes, no Império, no S.Jorge... bom em tudo o que era cinema sem pagar um tostão !

Entretanto o meu pai tornara-se um operador de imagem, trabalhava com o realizador Perdigão Queiroga, e eu assisti ali no Bairro Catarino à magia de ver e conhecer alguns dos nossos melhores artistas a fazerem cinema português. E a entrar !

A prova provada disso é aquela foto das Pupilas do Sr.Reitor, de 1961.

António Silva ao centro, Josefina Silva (?) e Elvira Velez na ponta direita.

Porque na ponta esquerda, quase a sair do plano,sentada, de boca aberta está esta vossa amiga com 16 aninhos e a esperança de que ia ser uma grande actriz. OK. não fui má de todo mas não passei de uma simples amadora, com muito gosto.

Isto tudo para vos falar de um filme e de uma actriz que me impressionaram mesmo muito.

Foi o Sunset Boulevard, que em Portugal teve o título de Crepúsculo dos Deuses, um filme de Billy Wilder, de 1950 com a Glória Swanson e o William Holden.

A descida de escada  da Glória Swanson - olhar esgazeado, expressão de diva louca, o cobrear  daquelas mãos - ficou-me para sempre na memória.

Nos meus tempos de Teatro Amador fartei-me de imitar a cena. Assim que via uma escada la estava eu a descê-la à moda da Glória.Os meus colegas já avisavam: Ó Olga, tens aqui uma escada boa para ti...

E pronto... porque é que eu resolvi escrever este post ?
Porque gosto de recordar as coisas boas da minha vida e...

...porque Nosso Senhor sempre atento aos mais ínfimos anseios terrestres lá decidiu...

Esta rapariga gosta tanto de escadas que lhe vou dar um 2º andar, sem elevador, aqui em Alcântara...

O ar esbaforido com que chego cá acima não é de cansaço...é uma nova imitação da Glória !

sinto-me: cinéfila cansada !
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publicado por entreparentes às 21:13
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