Domingo, 8 de Junho de 2008

Mãos ao ar !

Capa de Cândido Costa Pinto

 

 

Comecei a ler muito pequena.

E mesmo quando não sabia adorava ver as ilustrações dos livros de história do Oliveira Martins, embora a preto e branco, impressionavam-me as sangrentas imagens de cabeças espetadas em paus de batalhas e revoluções que não se limitavam a cravos.

A literatura de casa da minha avó Ana e a de casa dos meus pais não podia ser mais heterogénea.

Li de tudo.

Mesmo livros de amor...não vos sei dizer quantas vezes li o 'John chauffeur russo' ou a 'Mulher de 30 anos'...

(Sim, e a Crónica Feminina às quintas-feiras também lia, e depois? )

Mas os meus favoritos eram os policiais.

Acho que da Colecção Vampiro li todos.

Sempre com capas de arrepiar.

Fiquei íntima do Poirot, da Miss Marple, do Maigret,do Sherlock, do Perry Mason, do Johnny Flechter com o seu inseparável Sam Cragg e muitos outros.

Quando começaram as séries policiais na televisão também não perdia uma - Hong Kong, com o, então, imberbe Rod Taylor, os Vingadores, o Santo, o Columbo e a sua sebenta gabardina, Perry Mason, Crime disse ela, e mais tudo o que cheirasse a crime e castigo.

Embora as minhas preferências literárias tenham feito uma trajectória de 180º, no que respeita às séries por cabo continuam inalteráveis.

Vejo tudo.

CSI Miami, CSI NY, CSY LA,CSI Freixo de espada à cinta...é o que se quiser.

E mais o Números, Lei e Ordem, Closer,Clube de Investigadoras, A lei do mais forte, etc.

E,claro, Ossos e Patologista.Nem desvio muito o olhar.

Penso nos fantásticos mock-ups que a produção inventa, nos litros de corante sangrento, às vezes emociono-me, outras arrepio-me mas nada me perturba o sono.

Já com a realidade não se passa o mesmo.

Fico muito mais impressionada com algumas notícias de telejornal do que com as lâminas certeiras do Dexter.

Comprovei isso no dia do encontro do IEM.

Já tinha passado o almoço, cervejas no British, íamos num táxi a caminho do jantar.

Quase a chegarmos ao Marquês de Pombal o trânsito abranda e vemos que qualquer coisa de estranho se passa lá à frente.

Encostados ao passeio, um atrás do outro, estão dois carros parados.

O da frente tem a porta aberta, deitado ao comprido de barriga para baixo, cara no chão,está um homem com as mãos atrás da nuca e outro de pé a apontar-lhe uma arma.

Do outro lado a cena era quase idêntica só que o de pistola na mão, sem nunca deixar de apontá-la, vai ao carro de trás tira uma daquelas luzes da Polícia e põe-a no cimo do carro e a pedir reforços.

Pronto. Era uma cena de polícias e ladrões, tipo Horatio Caine.

Ainda olhei à volta para ver se era cena de filme...mas não.

O táxi passou rentinho à pistola do de cá.

Era a sério.

Era a realidade. Pura e fria. Em Lisboa.

Entre nós era latente o desconforto.

Ficámos perturbadas.

Enervadas.

Pelo menos por momentos.

Metros à frente recomeçámos na galhofa.

Para trás ficaram dois homens de cara no chão, se calhar a pensarem que o crime não compensa ou na ironia do destino...

...presos em plena Avenida da Liberdade !

 

 

 

sinto-me: Muito meu caro Watson
publicado por entreparentes às 13:10
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